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o dia todo a pensar nisso

Crónicas de uma jovem existencialista com tendência para pensar demasiado.

Crónicas de uma jovem existencialista com tendência para pensar demasiado.

o dia todo a pensar nisso

29
Out19

08.10.19 - nota de telemóvel

As pessoas são fascinantes. Conhecer pessoas é fascinante. Cada qual com a sua história. Cada qual com a sua moralidade. Todas com um passado, seja ele mau ou bom, porque o mau e o bom nem sempre significam o mesmo para cada um.

Tudo aquilo que passaram para chegar ao momento em que as conhecemos. Todo aquele universo dentro de um ser único.

Às vezes os universos que achamos mais diferentes acabam por ser também os mais parecidos. Julgamos que conhecemos as galáxias que vivem nos outros mesmo antes de as explorarmos, mas muitas vezes só precisamos que a nossa nave espacial vá lá parar. Muitas vezes começamos a conhecer universos que nunca pensámos explorar apenas por mero acaso. Apenas porque o destino assim o dita.

O mais fascinante acontece quando o que encontramos é um espelho, muitas vezes fragmentado em várias peças que se vão juntando ao longo da exploração do outro. Quando encontramos alguém que apesar de tão diferente, acaba por ser tão igual.

Porque apesar da nossa singularidade, somos todos humanos. Cada um com o seu universo. Cada um com as suas galáxias. Mais ou menos diferentes. Mais ou menos iguais.

07
Set19

o que é o amor?

Aqui há uns meses um amigo perguntou-me enquanto almoçávamos: "O que é o amor?". Fiquei na dúvida se estava realmente à espera que eu elaborasse uma resposta séria, ou se estava simplesmente a perguntar-me de forma jocosa por saber que era uma pergunta obviamente relativa. Na altura tentei expressar a minha opinião de forma resumida e lembrei-me que tinha refletido sobre o tema em fevereiro deste ano. Naquele momento gostava de ter tido à mão o caderno onde tinha escrito a dita reflexão. Por isso, e porque esta semana não houve tempo ou inspiração para escrever algo novo, faço hoje uma pequena volta ao passado:

22.02.19 - Sexta - Reflexão 8 dias pós dia de S. Valentim

Estava sozinha em casa quando me perguntei se acredito no amor. Perguntei a mim mesma se me estava a referir ao amor romântico entre duas pessoas ou ao amor em geral. Se me perguntarem se acredito num amor romântico ou sexual entre duas pessoas que possa durar até que uma delas morra... não acredito. Mas no amor? Na palavra "amor"? Claro que acredito. Se não fosse o amor ninguém se mantinha vivo.

O amor, no sentido de paixão, é o que nos dá perspetivas de vida. Existe o amor pelos outros, mas nós amamos muitas coisas. Se não tivermos amor pela escrita, podemos ter pela música ou por viajar ou por outra coisa qualquer. O nosso prazer e as nossas necessidades são, para mim, baseados no amor. O amor é como o oxigénio: não o vemos mas ele está por todo o lado e se não o sentirmos, morremos. O amor é o que dá sentido à vida desde que nascemos e acaba por ser a nossa raison d'être sem sequer nos apercebermos.

26
Ago19

24.08.19 - dores de crescimento

Quase todos ouvimos falar das dores de crescimento quando somos crianças e mais tarde na adolescência. Aquelas dores nas canelas que sentimos a meio da noite, como se os nossos ossos estivessem a aumentar de tamanho a um ritmo demasiado acelerado para o nosso corpo.

O que a maior parte de nós não espera é que quando chegamos à nossa altura máxima, quando achamos que já crescemos tudo o que tinhamos a crescer, é que começam as verdadeiras dores. As nossas pernas já não crescem, nem os nosso braços, nem os nossos seios, mas a dores continuam a surgir.

A dor da primeira desilusão amorosa, que muitas vezes altera completamente a noção prévia que tinhamos de amor. A dor de nos separarmos dos nossos amigos, seguindo caminhos diferentes daqueles que eles seguem, como ramos de árvores que se bifurcam em duas direções quando crescem. A dor de cortar finalmente o cordão umbilical quando percebemos que não somos nem a nossa mãe nem o nosso pai. Quando percebemos que somos a nossa própria pessoa, com a nossa própria personalidade e o nosso próprio caminho. A dor de partir o ovo com a nossa própria cabeça, para sairmos do ninho com as nossas próprias asas. Porque como diz Hermann Hesse em Demian: "A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer precisa de destruir um mundo."

Dói porque estamos a crescer, porque o cabelo tem de ser cortado para crescer mais forte e porque temos de cair para aprendermos a levantarmo-nos. Dói porque tem de doer e se não doer é porque não estamos a crescer como deviamos. Se não doer é porque ainda estamos dentro do ovo, com medo de sair e de voar.

22
Ago19

18.08.19 - homens, mulheres e insónias

É numa madrugada de sábado para domingo que estou acompanhada pela Insónia. Talvez aquele café tivesse sido tomado demasiado tarde, ou talvez esteja a tornar-me notívaga como o meu gato que está acordado, a observar-me enquanto escrevo às 2h e 10m da manhã.

É a estas horas, em que uma pessoa tenta encontrar a posição ideal para dormir, sem ter demasiado frio ou demasiado calor, sem entortar demasiado a coluna para depois não acordar com dores no corpo todo, que se reflete sobre determinadas coisas da vida.

Há quem se lembre de perguntar ao google se os pinguins têm joelhos e há quem comece a pensar na complexidade das relações humanas e como estas se desenvolvem ao longo do tempo. Eu sou estes dois tipos de pessoas, consoante a maré, mas hoje deu-me para o lado sociológico.

As relações entre humanos são, obviamente, todas elas complexas de um modo geral. Dois seres sencientes, com pensamentos e sentimentos próprios são, só por si, dotados de uma profundidade imensa, o que leva a que as interações sociais entre os mesmos nunca sejam simplesmente unidimensionais. No entanto, acho que a própria sociedade faz com que determinadas relações sejam mais ou menos complexas. Obviamente que não podemos comparar relações entre familiares com relações entre amigos, ou com colegas de trabalho ou muito menos com relações de teor romântico. Não foi sobre isso que comecei a refletir na cama, às 2h da manhã.

As relações entre mulheres e homens. Foi sobre isso que comecei a refletir. As que não são românticas, quero dizer. Sim, porque o que tenho observado na sociedade (pelo menos na portuguesa), é que é difícil considerar que um homem e uma mulher possam ser apenas amigos. Vejo isto desde os tempos de escola e continuo a ver agora.

Não me interpretem mal, eu não estou a criticar a sociedade por acreditar na possibilidade de um homem e uma mulher passarem tempo juntos porque se sentem sexualmente atraídos um pelo outro, apesar desta ser uma visão extremamente influenciada pela heteronormatividade ainda tão presente nos dias de hoje. Na verdade, o que para mim torna as relações não-românticas e não-sexuais entre pessoas do sexo oposto (cuja orientação sexual abrange, de facto, o sexo oposto) complexas, é mesmo o facto de, em vários casos, uma das pessoas ter realmente algum tipo de atração sexual  ou romântica pela outra. Muitas vezes é o homem que, apesar de gostar da mulher, respeita o facto desta não sentir o mesmo e valoriza-a o suficiente para se contentar com uma amizade. Muitas vezes é a mulher que gosta do homem para além da amizade, mas não o admite pela possibilidade de vir a ser rejeitada, ou por outro motivo qualquer. Mesmo que estes sentimentos sejam só fases durante as respetivas amizades.

Não sei onde quero chegar com isto, mas acredito que "os homens são de marte, as mulheres são de vénus" e existem vários factores sociais que complicam o que é, na verdade, simples.

 

PS: A não perder, na próxima madrugada em que estiver com a Insónia, o meu próximo ensaio: "O homoeroticismo presente em várias amizades entre pessoas do mesmo sexo".

15
Ago19

05.08.19 - a vida é estranha

"A vida é estranha". Tem sido uma frase que tem estado na minha cabeça ultimamente, principalmente à noite, antes de dormir. A vida é estranha, penso eu. Quando digo "estranha", não quer dizer que seja de forma pejorativa. Talvez a melhor palavra para a descrever seja "confusa", mas também me parece que tal adjetivo possa ter uma conotação algo negativa.

Quando digo (ou penso) que a vida é estranha, refiro-me ao facto de não nos dar respostas diretas ao que queremos saber. A vida dá-nos respostas, sim, mas sempre de um modo súbtil, como se tivessemos de ler nas entrelinhas. É fascinante, sem dúvida, pois aí é que está a sua beleza. As possibilidades nas incertezas. No entanto nós, humanos, gostamos de controlar. Mais do que isso: nós achamos que temos controlo e por isso temos medo de o perder.

Ora, como é que se pode perder algo que nunca tivemos? É como acabarmos uma relação com alguém sem nunca namorarmos com a pessoa sequer. Nós não namoramos com o controlo. O controlo é como aquela pessoa popular lá da escola que nós admiramos à distância, mas que nem sequer tem noção da nossa existência.

Nós nascemos e não o controlámos, pelo menos que tenhamos memória. Há sempre a hipótese de termos escolhido nascer quando ainda eramos só alma sem corpo, em transição de uma vida kármica para a outra, mas até nessa teoria parece-me mais plausível ter sido o próprio karma (ou o Universo) a fazer-nos nascer da forma que nascemos, desde a escolha dos nosso pais às nossas características pessoais.

O que é facto é que quando penso que "a vida é estranha", é porque estou a questionar a minha raison d'être no momento. Enquanto que por vezes pensar no significado da vida me traz ansiedade, ultimamente tento deixar-me levar pela maré em vez de nadar contra a mesma. Não é fácil e muitas vezes sinto que já estou a perder pé ou até mesmo a afundar-me, mas sei que tenho de confiar no sentido do vento. Tenho de confiar na vida, por mais estranha que ela às vezes pareça. Afinal de contas acho que a nossa razão de existência acaba por ser isso mesmo: existir. Simplesmente. O resto vamos lendo nas entrelinhas.

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